O Gonçalinho ainda nem tem dois anos e ontem uma educadora
já me fez queixa dele! Ao que parece, resolveu puxar o cabelo a uma amiguinha. A
primeira coisa que me ocorreu foi: Puxar o cabelo?!!! Isso é lá de homem?!
Ainda se fosse um pontapézito ou uma mordidelazita!
Obviamente que estou a brincar. A verdade é que fiquei
triste. Ele é tão doce… não percebi porque é que fez tal coisa. Ainda por cima cheguei
quando estava tudo ainda fresquinho, acabadinho de acontecer. Deparei-me com a menina
a chorar desalmadamente (e ela é tão fofa) e com o Gonçalo com um ar de quem
tinha acabado de levar uma valente descompostura (é giro como já os vamos
conhecendo. Quando ele sabe que abusou, fica com um ar muito comprometido e
cómico ao mesmo tempo! Baixa a cabeça e não nos olha nos olhos).
Peguei nele ao colo e ralhei com ele. Não levantei a voz nem
um decibel. Estava mesmo triste com a situação. Sei que eles não fazem por mal
e ele próprio também já chegou a casa com uma mordidela de um coleguinha, mas
não deixo de pensar se poderei de algum modo ser responsável por este tipo de
impulsos. Será que não lhe transmito serenidade suficiente? Realmente sou um
bocado nervosa. Mas onde é que ele aprende estas coisas?
Lá estava eu, com ele ao colo, a olhar de frente para ele,
ao mesmo nível dele, ele com os olhos baixos e muito sério. E depois de um
discurso de quase 5 minutos, no qual lhe expliquei que o que ele fez não está certo,
que puxar o cabelo dói muito e que ele não ia gostar que lhe puxassem o dele,
que a menina era amiga dele, etc, etc, perguntei-lhe: “não se volta a repetir,
pois não? Nunca mais puxas o cabelo, nem à B. nem a ninguém, pois não?”. Ele,
doce como um anjo e ainda com os olhos baixos, abanou a cabeça como que a dizer que não. Depois, levantou a cabeça, olhou para
mim e disse: “Boácha!”, que é como quem diz “bolacha!”.
... E pronto. Foi isto! Fiquei sem saber se o meu discurso e se
o meu tom surtiram efeito!

Sofia
ResponderEliminarÉ normal isso acontecer exactamente nesta idade, aqui no infantário é comum. O puxar de cabelo e o morder, pois passam da fase da percepção sensorial para a percepção fisica, para eles descobrir que podem morder ou puxar algo que ainda nem sabem o que é, não é mais do que uma aprendizagem.
A queixa da educadora, já de si é disparatada e revela alguma incompreensão com o fenómeno, que deveria ser do seu conhecimento e que tem a explicação que te acabo de dar.
Claro que também é normal darem carinhos, beijos e abraços, e isso já tem a ver com os afectos que recebem e replicam. Tanto é que nestas idades também não é estranho que o façam a pessoas que não conhecem, mas com as quais sentem empatia.
O teu ralhar é normal, para que sejam colocadas pouco a pouco as barreiras e os limite, mas o sentires-te culpada já é disparatado. Digo eu.
Muito obgda Nélson :) Mesmo. Quanto ao "sentir culpada", sei que não deixas de ter razão no que dizes, mas às vezes é mais forte que eu. Vou tentar controlar-me :)
ResponderEliminarMiga... Isso é... do NOME dele!!!
ResponderEliminarEu avisei-vos logo de inicio, ainda nem o tinhamos visto ;)
Bjinhos
Deveria de te ter dado ouvidos :P beijinhos
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