segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quando a relação precisa de uma lata de gasolina e de uma caixa de fósforos... (como o livro)



Não há dúvida que o nascimento de um filho vem mudar em muito a dinâmica do casal. O tempo, que até então era dedicado quase exclusivamente um ao outro, passa a ser maioritariamente direcionado ao novo elemento da família. Nos primeiros tempos porque não há outra forma de fazer as coisas e também porque a dependência total deles em relação a nós se mantém por muito tempo. Por sua vez, os serões a dois reduzem drasticamente e, muitas das vezes, a disponibilidade mental para sair, fazer uma surpresa, organizar qualquer coisa de diferente, etc, também não é das maiores. Esta situação dificulta largamente quando não se tem uma rede de suporte: pais, sogros, tios…

Há dias em que sentimos claramente que para manter acesa a chama da relação, só usando gasolina e depois acedendo um fósforo!  

Todos sabemos qual a receita para evitar que chegue a este ponto mas, na “hora H”, quase todos nos deixamos levar pelo comodismo, conformismo, cansaço e falta de paciência. Mas é óbvio que é importante fazer um esforço. Por nós, pelo nosso respetivo, pelo nosso filho e por nós enquanto casal. E esta regra aplica-se ao marido e mulher, naturalmente!

Acho que o que vou dizer de seguida não será de todo consensual, mas cá vai. Acredito que as coisas correriam melhor se a maior parte dos homens colaborasse mais nas atividades domésticas. Podiam fazer as compras de supermercado, porque as coisas não nascem nas prateleiras e nas gavetas. Alguém as tem de comprar e fazer a gestão do que é preciso; fazer as refeições, porque elas não se fazem sozinhas; ou cuidar da roupa da casa porque, curiosamente, estas também não são autossuficientes e alguém tem de tratar delas. Podiam também ter mais gestos românticos e fazer um esforço maior para se porem no lugar da mulher, a quem muitas vezes é exigido para se comportar como se fosse duas ou três pessoas, tanto em casa como no trabalho... Sendo que nenhuma destas duas ou três pessoas  tem tempo para fazer coisas de que gostam e precisam!

Também sei que há muitas mulheres que assim que são mães passam a dedicar 100% do tempo aos filhos, remetendo o marido para o plano dos esquecidos. É lógico que este também não é um bom princípio para manter uma relação familiar harmoniosa.

Resumindo, maioritariamente eles queixam-se da falta de atenção delas e elas queixam-se da falta de sensibilidade e colaboração deles.

Achar o equilíbrio é o truque. Eu sei disso e todos nós sabemos disso. Mas parece que é difícil pôr isto em prática. Se fosse fácil, não havia tantos casais a reclamarem. 

4 comentários:

  1. O nosso principal problema, após a Helena ter nascido, foi /é encontrar um equilíbrio entre a minha opinião e a opinião do meu marido. Somos duas pessoas muito diferentes, especialmente no que diz respeito à educação que cada um teve. Isso reflecte-se muito nas escolhas que cada um quer para a nossa filha. Falar, entendimento, ouvir o outro, fazer cedências,têm sido conceitos que temos tentado colocar em prática! ;) é exactamente, o que dizes... se ao menos fosse fácil ;)

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    1. Pois, fácil não é e não existem fórmulas mágicas. Infelizmente! :( E não sendo educadora de infância, pediatra ou psicóloga, menos fórmulas tenho para partilhar. Pelo que me apercebo, acho comum esse tipo de situações. Afinal, somos todos diferentes. Mas segundo a pediatra do meu filho, é importante que essas diferenças de opinião não cheguem aos nossos filhos, para que não fiquem confusos. Lá está, dito assim parece fácil :)!!!! Beijinhos Polly

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  2. Acho que as experiências são para se partilhar por isso cá vai a minha... Quando nasceu a minha filha há 20 meses tinha engordado consideravelmente e eram 20 kgs que interferiam na minha auto-estima e na minha vontade de fazer o que quer que fosse com o meu marido. Para além disso, o que pode lhe parecer pouco consensual para mim faz todo o sentido. Mas também aprendi ao longo destes 20 meses que nós temos um papel mais preponderante na vida dos nossos filhos, e qualquer coisa é a nós que eles chamam porque somos nós que estamos presentes em TUDO. É esgotante? É demasiado esgotante ... mas também senti o outro lado ... o amor da minha filha, o sentimento do amor verdadeiro onde mesmo que estejamos esgotadas temos a capacidade de estar lá ao lado deles!
    No meu caso e sendo uma primeira filha, o meu marido tinha alguma dificuldade em interagir com ela, visto que ela se habituou a ser a mãe a tratar dela, sendo que agora já maiorzinha já vai interagindo mais ... mas para tudo é a mamã ... e é tão bom, saber que a minha dedicação deu frutos!
    Agora sobre a chama ... também tive que trabalhar. A mulher não está preparada para tantas mudanças e para mim foi um choque muito grande, mas lá fui por etapas ... primeiro tive que emagrecer e foi preciso 1 ano para tal... e depois de começar a recuperar a auto-estima continuou a faltar a chama... parecia um bloqueio mental exactamente com os mesmos pensamentos... mas porquê que ele não ajuda mais? e temos muitas vezes algumas conversas sobre os nossos comportamentos ...não terá sido isso que melhorou a chama :) mas como já li pela blogosfera, a "vida resolve-se sozinha" ... há que trabalhar para melhorar as relações, há que sentir que tudo o que fazemos e do que abdicamos é em prol de um amor maior. Às vezes não faz assim tanto sentido quando estamos desesperadas por algo novo mas há sempre uma solução!
    Desculpe o testamento! Beijinhos... gosto muito do seu blog! Marta Santos

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    1. Não peça desculpas Marta. Pelo contrário! Agradeço, de coração, a sua partilha.
      Não é uma fase nada fácil, e também compreendo que para muitos homens o processo seja bem mais complicado. Afinal de contas, quem gera, durante 9 meses, o filho, somos nós, mulheres. É normal que seja mais fácil para nós estabelecer um elo mais imediato. Por outro lado, também acho que há uma certa tendência para nos desligarmos mais do nosso marido, até porque o grau de cansaço a que estamos submetidas deixa-nos pouca energia para além daquela que temos de ter para o nosso filho. E que não é nada pequena!
      Não obstante tudo isto, e pelo menos nestes casos em concreto, não acho que a vida se resolva sozinha. Nestes casos, temos de ser nós, casal, marido e mulher, a tomar consciência do que se está a passar e agir. Tomar atitudes. Tentar mudar.
      Só assim há mais possibilidades de salvar a relação. Pelo menos é nisto que acredito!
      <3 Beijinhos e muitas felicidades Marta :)

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