Para a semana o Gonçalo, que está no segundo ano- repito, segundo ano - vai começar as provas de aferição. Não são testes. São provas de aferição. Um nome que coloca logo em cima uma carga que, quanto a mim, é totalmente desnecessária. E como se esta carga não bastasse, há todo um ritual que tem tudo para deixar os miúdos ainda mais nervosos.
A prova de música, por exemplo, e pelo que me foi explicado pela professora, consiste em apresentar aos miúdos, na altura da prova, uma música, dar-lhes a ler a respetiva letra e depois eles têm que a cantar para uma plateia de conhecidos e desconhecidos (se por acaso já conheciam a música, boa, se não, paciência!).
Depois, e no caso do meu filho, há provas que são feitas numa outra escola e não na dele.
A sério que não consigo perceber o que é que isto traz de positivo.
Sim, eu sei que vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva. Mas isso é bom? É bom alimentarmos isso? É bom que miúdos de 7/ 8 anos tenham que ter este tipo de pressão? Não deviam estar mais ocupados a brincar?
Por acaso o Gonçalo não costuma ficar nervoso com os testes. Acho que por uma questão de feitio e também porque eu própria desvalorizo. Ele tem sido um ótimo aluno até ao momento, apesar de ser aluado no dia-a-dia, e não quero que ele se stresse já com este tipo de coisas. Mas, mesmo assim, percebo que ele está um bocadinho ansioso com estas provas. Agora imagino aquelas crianças que já ficam nervosas nos "testes normais".
Muitos professores defendem que estas provas são, acima de tudo, para os avaliar a eles e não às crianças.
Pode ser. Mas para os avaliarem a eles, colocam os nossos miúdos sob pressão, para que os próprios professores consigam atingir as metas a que os obrigam.
Daí a minha pergunta: isto é bom para quem?
Se já evoluímos imenso em muitas áreas, a educação é daquelas que me parece estar a anos-luz daquilo que seria desejável. E é nestas alturas que me questiono porquê que somos tão renitentes em olhar para o sucesso que fazem modelos educativos postos em prática nos países nórdicos, por exemplo.
Não percebo. Por mais que tente, a sério que não percebo.
terça-feira, 24 de abril de 2018
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Se este não existisse...
O Gonçalo é completamente aluado. Do género de eu o mandar ir lavar os dentes, ele ir (à quinquagésima vez, atenção!) e depois de entrar na casa de banho é capaz de se distrair com qualquer coisa que vê na bancada do lavatório e esquece-se completamente do que ia fazer.
Ontem ao jantar estava a contar-me como tinha corrido a escola. A dada altura conta-me um episódio que me fez rir imenso. Creio que contagiados por mim, ele e o irmão começaram a rir-se também, com gosto e que nem uns perdidos, e quando já estávamos todos mais calmos ele perguntou-me:
"Mãe, o que é que te contei agora mesmo e que nos fez rir tanto. Já não me lembro!"
Ontem ao jantar estava a contar-me como tinha corrido a escola. A dada altura conta-me um episódio que me fez rir imenso. Creio que contagiados por mim, ele e o irmão começaram a rir-se também, com gosto e que nem uns perdidos, e quando já estávamos todos mais calmos ele perguntou-me:
"Mãe, o que é que te contei agora mesmo e que nos fez rir tanto. Já não me lembro!"
Fazer o tempo voar
Adoro quando estou com alguém e sinto o tempo voar. Sei que pode parecer masoquista da minha parte mas, se analisarmos bem, se sentirmos isto é sinal de que foi agradável.
É tão bom "jogar conversa fora". Falar de tudo e de nada, sem reservas. É bom quando a conversa flui e as pequenas coisas são partilhadas... e se tornam grandes.
Não são muitas as pessoas que me suscitam este estado de espírito (na verdade, são muito poucas) e, talvez por isso, sempre que acontece um momento assim sabe ainda melhor.
Convenhamos... um serão assim consegue ser regenerador.
Venham mais destes! 😊
Venham mais destes! 😊
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Paz
Uma das coisas que mais me "assustava" no facto de passarmos a ser três, era como é que eu ia fazer aos fins-de-semana? Como é que íamos poder fazer programas giros, estando eu sozinha a tomar conta deles (visto que ainda são os dois crianças e requerem uma atenção gigante)?
Durante a semana a logística já está alinhavada. Faz-se quase tudo em modo automático, com tudo de mau que isto tem, mas faz-se. É certo que por estar alinhavada não quer dizer que seja fácil, porque está a anos-luz de o ser, mas é diferente. Há rotinas e isso ajuda. A eles e a nós.
No fim-de-semana as coisas mudam de figura. Quero passar tempo de qualidade com eles. Quero proporcionar-lhes momentos giros. Daqueles que eles um dia vão recordar com saudades.
Mas fazer programas sozinha com duas crianças não é tão linear como possa parecer. Primeiro de tudo, tenho que pensar se é viável em termos de segurança. Por exemplo, evito parques ou espaços muito grandes, porque às tantas um vai para um lado e outro vai para outro e eu não tenho como ver os dois. Depois, e no meu caso, e porque apesar de terem apenas 4 anos de diferença, nesta fase, isso pesa, tenho que pensar em programas que sejam giros para os dois Por fim, tenho que partir do princípio que não vai ser fácil e, por isso, tento munir-me de doses extra de paciência.
Este fim-de-semana fomos ver a exposição do Escher, que está no Museu de Arte Popular, em Lisboa.
Não é barato, por mim e pelo Gonçalo paguei 15 euros (até aos 5 anos as crianças não pagam), mas achei que valeu a pena. A exposição está muito gira e tem muitas áreas interativas.
O Gonçalo adorou. Ficámos lá mais de duas horas, e teríamos ficado mais tempo se o Francisco não tivesse começado a ficar birrento e a querer vir-se embora (lá está, acontecem estas coisas). Pelo Gonçalo tínhamos ficado lá mais uma hora, para ele poder apreciar as obras com toda a atenção do mundo e ouvir as explicações dadas pelo áudio-guia.
Se foi pacífico? Não. Mas faz parte. O que interessa é que à medida que o tempo vai passando tenho chegado a uma conclusão. É que eu consigo! Tinha medo de não conseguir, mas consigo. Pode não ser fácil, e não é, mas a dinâmica a três está cada vez mais fluída e constatar isso dá-me uma sensação de paz e conforto que não sei explicar.
É como se costuma dizer: o tempo resolve tudo!
terça-feira, 17 de abril de 2018
O efeito do beijo
O Gonçalo anda intrigado com os efeitos especiais. Perguntou-me o que eram, como se faziam...
Lá tentei responder a tudo o que ele me foi perguntando, da forma mais simples que consegui. Obviamente, falei de filmes e dei alguns exemplos.
Fiquei na dúvida se tinha sido bem sucedida nas minhas explicações quando ele me perguntou:
"E os beijos, mãe? Os beijos na boca que os senhores dão nos filmes também são efeitos especiais?!"
(so sweet! :) )
Lá tentei responder a tudo o que ele me foi perguntando, da forma mais simples que consegui. Obviamente, falei de filmes e dei alguns exemplos.
Fiquei na dúvida se tinha sido bem sucedida nas minhas explicações quando ele me perguntou:
"E os beijos, mãe? Os beijos na boca que os senhores dão nos filmes também são efeitos especiais?!"
(so sweet! :) )
domingo, 15 de abril de 2018
Ele não deixa de ter razão
Nos últimos dias constatei que o Francisco dá uma interpretação muito própria à frase "Tenho saudades tuas."
Para ele, a frase não pressupõe a ausência da pessoa, porque é sinónimo de "gosto muito de ti."
Apercebi-me disso porque esta semana, e talvez porque na semana anterior esteve quase 5 dias sem me ver, quase todos os dias, do nada, me abraçava enquanto me dizia, com aquela voz doce de bebé: "tenho muitas saudades tuas."
Escusado será dizer que me derretia toda!
De certo modo, ele não deixa de ter razão. Só sente saudade, só se sente a falta de alguém, quando se gosta muito, certo? ;)
Ou seja, este meu filho é um filósofo :)
sábado, 14 de abril de 2018
Sabe bem
É bom sentirmos que fazemos a diferença na vida de alguém. É bom sentirmos que alguém vê em nós um porto seguro. Um porto de abrigo.
Quando amigos nos procuram para desabafar "segredos inconfessáveis", porque "só confiam em nós" e porque "precisam mesmo de falar com alguém para se sentirem mais leves", não há como não nos sentirmos felizes por isso.
Na última semana vivi duas vezes esta situação e fiquei de coração cheio. Grata pela confiança e orgulhosa por saber que aquelas pessoas me veem com uns olhos que fazem de mim especial na vida delas.
No meio do caos, são coisas como estas que me dão fôlego ❤
sexta-feira, 13 de abril de 2018
O lado positivo
O Francisco é uma criança fácil de levar. É teimoso, sim, mas, no geral, tem bom feitio. Mas esta semana tem estado insuportável. Diz que não a tudo mil vezes, faz birras... a sério que não está fácil. Ontem foi de tal modo que não jantou nada de jeito.
Com estas coisas da comida stresso um bocado e, por isso, quando me fui deitar, fiz-lhe um biberon para lhe dar. Tirei-o da cama dele, pu-lo no meu colo e dei-lhe biberon, como quando ele era mais bebé.
Bateram-me umas saudades tão grandes!!! Uma nostalgia!!!
Não resisti e tive que tirar uma foto. Para ver se, de algum modo, conseguia fazer o tempo parar um pouco!
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Desapego
Como é óbvio, a realidade não muda, mas o facto de olharmos para ela com menos resistência torna tudo mais leve.
Aceitar. Deixar ir. Desapegar.
Estes têm sido os meus mantras e os meus desafios. Outros hão de vir. Um de cada vez.
Fofura infinita ou orgulho de mãe na escala máxima
Um dos trabalhos de casa do Gonçalo, para as férias da Páscoa, era escrever um texto sobre o melhor amigo dele. E ele escreveu este! O texto mais querido, amoroso e emotivo que uma mãe podia ler!
Quando o li, fui inundada por um sentimento de felicidade suprema. Por um orgulho imenso. E por um desejo profundo de que este sentimento dele para com o irmão, e vice-versa, se mantenha intacto ao longo da vida deles.
Um dia o Francisco vai ler esta carta e, nesse dia, tenho a certeza que ele vai confirmar o que já sabe: que tem muita sorte em ter o melhor irmão do mundo <3
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