quarta-feira, 1 de julho de 2015

Amamentação ou saber "parar"

Como já partilhei convosco, até aos 5 mesinhos do Francisco amamentei-o em exclusivo. A partir dessa idade comecei a introduzir as sopas e passado um bom tempinho introduzi a papa.

Como comecei a trabalhar (e no trabalho só consigo mesmo tirar leite uma vez), a minha produção diminuiu bastante, mas eu continuei a dar mama, sopa, fruta e papa.

À noite ele acordava imensas vezes para comer, mas eu pensava: "Bem, paciência! Se é para o bem dele, e por mais que me custe, vou acordar as vezes que forem precisas."

E era assim que eu via as coisas. Desta forma simples.

Acontece que quando ele foi à médica, no início do mês passado, ela disse que apesar dele estar ótimo tinha diminuído ligeiramente o percentil e o facto dele acordar tantas vezes poderia significar que ele andava com fome. Que não ficava totalmente satisfeito durante o dia. Aconselhou-me a dar maminha e complementar com leite adaptado.

Fiquei triste! Tristíssima para dizer a verdade! Já vos disse aqui que não tenho nada contra o leite adaptado, até porque graças a ele alimentei convenientemente o Gonçalo desde muito cedinho (porque a amamentação não correu nada bem), mas desta vez custou-me. Muito.

Custou-me porque percebi que isto da minha produção ter diminuído foi uma coisa que quase que impus ao meu corpo, por não conseguir tirar leite no trabalho mais que uma vez. Eu não me senti culpada, porque sei que mais que aquilo que faço é impossível, mas triste fiquei.

Lá comecei a dar o meu leite e complemento duas vezes por dia, e de resto ele come a sopinha, fruta, iogurte com fruta e papa.

Ontem foi novamente à consulta. O Francisco voltou ao percentil que tinha e em cerca de 3 semanas aumentou mais de 600g!

Resultado, isto fez-me pensar que não devia ter adiado tanto tempo o dar-lhe complemento. Fi-lo nem sei bem porquê. Foi por ele, claro, mas estupidamente também acho que o fiz por mim. Por estar numa espécie de negação. Por ter corrido tão mal com o Gonçalo que agora, que estava a correr tão bem, não queria sentir que estava a desistir ou coisa parecida.

Fui parva!

Quanto às noites, melhoraram bastante. Dou-lhe maminha mais complemento à meia noite e depois ele só acorda outra vez entre as 4h30-6h (depende). E aí só dou maminha mesmo.

Realmente há que saber "parar" e tem mesmo de imperar o bom senso. E admito que me estava a faltar um pouco deste ingrediente.

9 comentários:

  1. Concordo :) e não te sintas culpada quando tem que ser tem que ser, não gosto de fundamentalismos como tenho lido em alguns sitios que defendem que todas as mães têm leite, que todo o leite materno é suficiente e se for necessário dar de mamar de hora a hora dá-se... :) Parabéns :)

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    1. Culpada não me sinto. Sinto sim alguma frustração :( Mas já estou melhor. Já voltei a ter mais leite :) bjs

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  2. Aconteceu-me exatamente o mesmo! A única diferença é que só tenho 1 filho! Quando comecei a trabalhar começou a diminuir, a diminuir...Numa das consultas verificamos que ele não estava a engordar o suficiente... Chorei, chorei, por culpa. (Emoções de primeiro filho), mas lá me convenci que, tinha de complementar com leite adaptado! Consegui dar a maminha até aos 10 meses, a partir daí começou a ser muito difícil porque a produção era muito, muito pouca!
    Mas já foi bom! Se vier um segundo gostava muito de repetir.
    Andrea

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  3. Como a entendo, infelizmente o meu caso e mais parecido com o que aconteceu com o Gonçalo.
    Não foi nada fácil chorei e a verdade e que uma magoa existe sempre.
    Quando percebi que no seu caso com o segundo correu bem a verdade e que fiquei mesmo com muita esperança se tiver um segundo adorava conseguir amamentar o máximo.
    O problema e que realmente as vezes ficamos restringidas pelo o trabalho o nosso pais não e definitivamente amigo das mães.
    O sentimento de culpa nunca nos larga...

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    1. Concordo plenamente quando diz que o nosso país não é amigo das mães, pois eu já me tinham diagnosticado falta de produção de leite à segunda semana de vida da minha filha (fiz exames e tudo! Por isso não me venham com essa treta de que todas as mães têm leite! Eu não tive devido a várias condicionantes...) e quando comecei a trabalhar acabei por perder por completo o meu leite porque não me deram o horário de amamentação que eu precisava...
      Estou grávida novamente e peço por tudo que corra melhor desta vez... mas dependerá das tais condicionantes...

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    2. Sinceramente, com o Gonçalo não senti culpa. As coisas estavam mesmo a correr tão mal, que senti mesmo que era o melhor para os dois. Senti foi alguma pena.
      Desta vez, por estar a ser uma coisa forçada (isto porque estava a correr muito bem, mas com o trabalho deixei de ter tanto leite), senti-me frustrada. De qualquer modo, ainda dou de mamar e tenciono continuar a fazê-lo :)
      E claro que vai correr tudo bem com o seu segundo filho. Por experiência própria, a forma como corre com um, não significa que vai ser igual com outro. Nem as gravidezes são iguais, quanto mais :) Mas não pense muito nisso. Não se sinta pressionada! Vai correr tudo bem.
      beijinhos

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  4. Como eu gostava de conseguir dar de mamar, pelo menos durante a licença de maternidade!
    Estou gravida do terceiro bebé, e é um dos meus objetivos! O primeiro, pela inexperiência foi mau, acabou passado nem um mês com uma mastite. No segundo ia tão nervosa só de pensar em amamentar que não consegui!

    Posso pedir-lhe para dar umas dicas para o sucesso da amamentação, era muito bom :) Obrigada

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    1. Oh Magda... nem sei bem o que lhe diga. Não sou nenhuma especialista. Acho mesmo que um dos meus segredos foi o não ser fundamentalista e, ao mesmo tempo que queria muito amamentar, não me sentia minimamente pressionada para o fazer. Por exemplo, dei suplemento ao Francisco quando ele era muito pequenino duas vezes (salvo erro). Se gostei de o ter feito? Não. Mas ou era isso ou corria o risco de chegar a um ponto em que não ia conseguir dar mais. Uma das vezes, e esta é a que tenho mais presente, estava com dores horríveis por causa das gretas. às tantas olhei para ele e ele tinha a boca cheia de sangue. Meu, claro (graças a Deus). Achei horrível e nojento. Tadinho do meu bebé. Saltei uma mamada e dei-lhe suplemento.
      Da outra vez foi porque tinha as mamas tipo pedra...
      Como lhe disse no início, não sou especialista mas, no meu caso, sei que a minha descontração inicial ditaram o sucesso da amamentação. Mas claro, tem sempre de haver persistência. Ao início é difícil. Pelas dores, pelos picos de crescimento deles (que nos obrigam a estar sempre com a mama pronta a servir)... não é fácil, mas é possível :)
      Beijinhos e vai ver que vai fazer as coisas com uma perna às costas. E se não fizer, não é menos mãe por isso!

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