Ser mãe é a maior dádiva que o universo pode oferecer a uma mulher. Não há nada, mesmo nada, capaz de se equiparar ou sequer chegar perto deste supremo estado de graça! Mas isto não significa que seja fácil. E não me refiro à dificuldade de ser mãe em si mesmo; o que obviamente também não é pera doce. O que é realmente difícil é gerir e conciliar os papéis de mãe, de mulher enquanto ser individual, de mulher enquanto companheira, profissional, dona de casa, filha, amiga… Damos por nós a ter de ser várias pessoas no mesmo dia! É a esquizofrenia total!
Resolvi analisar aquilo que é um dia normal na minha vida e posso dizer que roça a loucura. Num minuto posso estar em casa a cantar “Os patinhos” e a saltar ao pé-coxinho para que o meu filhote tome o pequeno-almoço e, apenas uns minutos depois, estar à frente do meu chefe com o meu melhor blazer e com o ar mais sério e profissional que tenho. Durante a conversa com o chefe lembro-me que, mais uma vez, me esqueci de olhar para o espelho antes de sair de casa, porque saí a correr, e rezo para que no meio da macacada matinal não me tenha saltado nenhum bocado da papa para a testa ou para o cabelo!
As horas vão passando e, no final de um dia de trabalho, em que nem tempo tive para ir à Internet ver quais os títulos que fizeram manchete, vou buscar o meu rebento. Finalmente chego a casa, pronta para dar início ao “round two”: dar banho ao pequenote, vesti-lo, dar-lhe o jantar (ou até mesmo fazê-lo quando não tenho tempo de o adiantar no dia anterior), brincar com ele, preparar o meu próprio jantar e, se tiver sorte, ter um “tempo livre” para ir à casa de banho, até porque estou aflita há horas. Regra geral este momento não é bem “livre”, já que não são raras as vezes que o meu filho insiste em fazer-me companhia.
Depois dele estar deitado lá janto, às vezes contrariada porque a refeição soa-me a perda de tempo, e ainda “invento” tempo para fazer tarefas domésticas que odeio veemente, sobretudo porque elas teimam em não se fazerem sozinhas. Para não parecer mal, namoro cinco minutos com o meu marido!
Depois desta retrospetiva daquilo que pode ser um dia normal para mim, surgiu-me a dúvida: afinal, desde que fui mãe o tempo esticou ou encolheu? Por um lado parece-me que o dia não chega para tanta coisa que tenho de fazer mas, por outro, se avaliar tudo o que faço num dia, chego à conclusão que ele só pode ter aumentado!
Seja como for, e mesmo que ande constantemente a correr contra o tempo, a conclusão a que chego é sempre a mesma. Todos os esforços valem a pena! Sim, eu sei que é um cliché mais que batido, mas não há volta a dar. Ser mãe é MESMO a melhor coisa do mundo! E dizer isto depois da descrição do que pode ser o meu dia, significa que só pode mesmo ser muito bom, certo?

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