sexta-feira, 26 de maio de 2017

CONSULTÓRIO: Estou cansado de ser um pai irritado!

(texto escrito pela psicóloga Cátia teixeira, da Oficina de Psicologia)

Foto: Pinterest
Dá por si a zangar-se frequentemente com o seu filho, a dar castigos, a gritar e, às vezes, a bater no seu filho, cheio de raiva? Sente-se sobrecarregado, cansado ou stressado, sem saber como gerir a sua irritação de forma diferente? Sente que é um pai horrível?

Não está sozinho! Muitos pais debatem-se com estes mesmos sentimentos!

Se está cansado de ser um pai irritado e sente-se com vontade de tentar uma abordagem mais calma, parabéns!

Fazer estas mudanças leva tempo. Se quer reagir com mais calma e tentar perceber o que está por detrás da sua raiva, já está no bom caminho para a controlar.

Experimente as seguintes estratégias da próxima vez que se sentir irritado com o seu filho:

·                    Respire fundo – mesmo que já esteja a meio de uma discussão com o seu filho, nunca é tarde para parar e respirar fundo ou retirar-se para se acalmar. Isto pode fazê-lo sentir que está a desistir, mas este é um passo importante para gerir a sua raiva.

·                    Descubra o seu “gatilho” – todos os pais têm diferentes “gatilhos” ou coisas que normalmente os levam a reagir com raiva. O que é que a si o “tira do sério”? É a reação do seu filho quando ele não faz o que lhe pede? Ou é uma determinada frase que ele diz como “Já vou!” ou “Não me podes obrigar!”?

·                    Oiça os seus pensamentos – isto é complicado, mas é um passo importante. Embora o seu sentimento possa parecer raiva, ajuda identificar qualquer pensamento ou sentimento escondido. Nas tais situações “gatilho”, os pais podem sentir-se sem esperança, assustados, sobrecarregados ou podem pensar “Eu não consigo lidar com isto”. Quais são os pensamentos que o dominam nesses momentos? Este entendimento ajudá-lo-á a perceber melhor as suas reações.

·                    Observe o seu corpo – como é que o seu corpo responde à raiva? Alguns dos sinais físicos mais comuns são ombros tensos, punhos cerrados, batimento cardíaco e respiração acelerados… Estar atento às mudanças no seu corpo pode ajudá-lo a gerir a sua raiva mais cedo e dar-lhe tempo para se acalmar.

·                    Reavalie a situação – quando se sentir calmo novamente, pode analisar a situação com maior clareza. Há algo que possa fazer diferente da próxima vez? Precisa pensar em diferentes soluções para esse tipo de situações? (peça ajuda ao seu filho ou ao/à seu/sua companheiro/a para encontrar soluções). Isto é um padrão de comportamento que necessita de ajuda de um profissional?

·                    Repita – como qualquer mudança, a parentalidade sem reações explosivas é um processo. Não vai acontecer da noite para o dia e não é realista esperar mudanças sem esforço. Vai encontrar vários momentos/oportunidade para praticar estes passos. As boas notícias são: quanto mais praticar mais fácil se tornará.

A raiva é uma emoção muito forte. Algumas respostas de raiva são padrões formados na infância, outras são reflexo de como a nossa família gere emoções. Não será um sinal de fraqueza se procurar ajuda durante este processo.

Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica da Oficina de psicologia

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