sexta-feira, 13 de julho de 2012

Memórias doces da gravidez


Quando pessoas próximas de mim engravidam, bate-me uma saudade de quando estava grávida que não sei explicar em palavras. Apesar de não ter sido assim há tanto tempo como isso, às vezes parece que passou uma eternidade. Por outro lado, há coisas que estão tão vívidas na minha memória que dá ideia que aconteceram ontem.

Quando soube que estava grávida queria gritar ao mundo o meu novo estado, mas a “tirania dos 3 meses” impediam-me que o fizesse (apesar de termos contado aos nossos pais, manos e à minha melhor amiga!). É claro que falo em “tirania” na brincadeira, porque tenha sido por superstição ou medo ou “não sei porquê”, por via das dúvidas optámo mesmo por esperar os tais 3 meses.

Outra memória bem viva é dos medos que tomavam conta de mim cada vez que ia fazer um exame. Não tinha medo do exame em si, mas do resultado que ele pudesse trazer. Tinha absoluto pavor que as coisas não estivessem bem com o meu feijãozito e era uma agonia até receber o resultado. Quem me manda ser stressadinha? A sério que não me considero uma pessoa negativa, pelo contrário, mas como a minha mãe diz: “as preocupações com os filhos começam imediatamente no momento em que sabemos que estamos grávidas!” Não posso concordar mais!

Lembro-me também que não fui muito gastadora em roupa para ele. Nunca me deu para aí. Quanto ao resto da parafernália necessária comprar, era outro stress. As pessoas falavam-me de coisas que eu nunca tinha ouvido falar e às tantas eu só pensava: “como raio é que vou enfiar tanta coisa em casa?” Depois aprendemos a fazer uma triagem do que é realmente necessário e também depressa nos familiarizamos com todos aqueles termos “técnicos”... Eu nem um marsúpio sabia o que era! 

Sim, a minha ignorância nesta “área” era extrema.

E a preocupação que tinha de me esquecer de ter tudo o que iria precisar na mala para levar para a maternidade? Dava por mim a fazer e refazer a mala, não só para me certificar de que estava lá tudo, mas também porque me derretia cada vez que via a roupinha que seria vestida por ele nos primeiros dias! Antecipava o momento no meu coração e gerava-se em mim um misto de ansiedade e felicidade suprema.

Quando o comecei a sentir o Gonçalo mexer dentro de mim foi outro delírio. Que delícia de sentimento! No primeiro dia em que o senti, o milagre da vida ganhou uma nova proporção. Senti que estávamos cada vez mais ligados e que a comunicação entre nós era cada vez mais intensa. Mas é claro que como stressada que era, também houve o outro lado da medalha: quando ele não se mexia durante muito tempo seguido, ficava em pânico! “Será que ele está bem? Será que aconteceu alguma coisa?” Então vá de mexer na barriga, andar de um lado para o outro a ver se ele reagia e às vezes comia coisas doces (um dia ouvi alguém dizer que eles ficavam agitados com o açúcar. Às tantas é um disparate, mas era uma medida desesperada).

Outra coisa que guardo com muito carinho no coração são os serões ao deitar. Antes de eu ir dormir, contávamos-lhe uma história, seguida de uma música. Era sempre a mesma história, a “Where the wild things are”, e sempre a mesma música, a “Widow's Grove”, do Tom Waits (sim, o nome não é sugestivo, mas a música é linda!). Fazíamos isto porque a enfermeira que me fez o curso de preparação pré-parto disse que esta era uma excelente forma de comunicar com ele e que quando ele nascesse iria reagir à música e à história. Supostamente, iriam proporcionar-lhe o sentimento de segurança e paz que vivia na minha barriga. Não sabíamos se era verdade ou não, mas no fundo sempre era uma forma de comunicar ainda mais com ele e por isso fazíamo-lo. “By the way”, acho que ele não reage nem à música nem à história de um modo diferente, mas mal não deve ter feito J. Seja como for, hoje, quando oiça a música, dá-me um aperto de saudades no coração. De quando ele estava aqui, dentro de mim, protegido do mundo. Eu e ele num só.

Estas são algumas das coisas que me saltam à memória de repente, mas existem muitas mais. Foram (quase) nove meses, intensos e muito ricos em emoções. Apesar de ter tido alguns sustos e de não ter tido a gravidez mais pacífica do mundo, ele veio bem e isso é que conta. Hoje, as memórias que tenho da gravidez são memórias doces, pinceladas de saudade e, confesso, de alguma nostalgia.

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